Como a Cordexo automatizou a própria produção de conteúdo
Como a Cordexo automatizou a própria produção de conteúdo
A Cordexo vende automação. Mas até pouco tempo atrás, a nossa produção de conteúdo era inteiramente manual — e a gente sentia o mesmo aperto que todo dono de PME descreve quando fala de rotina operacional: a tarefa é importante, é repetitiva, e mesmo assim consome uma sessão de trabalho inteira toda vez que precisa acontecer.
Cada ciclo de publicação gera quatro peças: um post de blog, um post de LinkedIn, uma legenda de Instagram e um carrossel de 8 slides no padrão visual da marca. O carrossel era a parte mais lenta. Diagramar slide por slide, conferir fonte, conferir cor, exportar, checar se o texto não ficava na área que o Instagram corta na miniatura do grid. Trabalho de produção, não de pensamento.
Então aplicamos em nós mesmos o que aplicamos em cliente: transformamos o processo numa esteira executada por um agente de IA.
O que o agente faz hoje
O ciclo roda de forma agendada e segue sempre a mesma sequência. O agente lê um arquivo de controle que guarda a fila de rotação dos nossos seis temas editoriais e os ângulos já publicados, e escolhe um ângulo inédito. Escreve o post de blog e o salva como rascunho — nunca publicado direto. Adapta o raciocínio para um post de LinkedIn com perspectiva complementar e para uma legenda de Instagram. Renderiza os 8 slides do carrossel via código, com as fontes e cores da marca embutidas, sem nenhum editor de imagem envolvido. Por fim, atualiza o próprio arquivo de controle, registrando o ângulo usado para que a pauta não se repita no futuro.
No final, o que chega para revisão humana é o pacote completo: quatro formatos prontos, esperando um olhar e um clique de aprovação.
O que quebrou no caminho
A primeira versão da esteira saiu errada, e vale contar onde.
O problema mais visível foi corte de texto nos slides. A função que media a largura das linhas subestimava o tamanho real da fonte dos títulos — em corpo grande, a diferença chegava a um terço da largura. O título parecia caber no cálculo e estourava a borda no PNG final. A correção foi trocar a estimativa por uma medição do texto de fato renderizado, e nenhum slide sai mais sem passar por essa checagem.
O segundo problema só apareceu olhando o perfil publicado: o grid do Instagram apara uma fatia das bordas nas miniaturas de posts em carrossel. A margem de segurança que usávamos deixava texto dentro da área cortada. Aumentamos a margem e adicionamos uma verificação automática de borda que roda sobre cada imagem gerada, antes de qualquer entrega.
O terceiro problema era de texto, não de imagem: as primeiras versões escritas pelo agente soavam como qualquer conteúdo de IA — aberturas com pergunta retórica, fechamento motivacional, adjetivo vazio. A saída foi escrever uma lista explícita de construções proibidas, que hoje faz parte das regras que o agente lê antes de produzir. O texto só melhorou quando a definição de "texto bom" saiu da cabeça de alguém e virou documento.
Por que o humano continua no circuito
Nada vai ao ar sozinho. Todo blog nasce como rascunho, todo carrossel espera aprovação. É a mesma regra que aplicamos nos projetos de atendimento dos nossos clientes: autonomia se ganha com histórico de acerto, nunca no primeiro dia. A revisão humana de um ciclo leva minutos — o que ela substitui é a produção, que levava horas.
E é aqui que este caso deixa de ser sobre a Cordexo. A esteira de conteúdo tem a anatomia de qualquer automação que entregamos: um processo repetitivo, regras de qualidade escritas e um ponto de revisão humana posicionado onde o erro custa caro. O que mudou de um lado foi o volume de trabalho manual; o que não mudou foi quem decide o que é publicado.
A lição que levamos para os projetos de cliente é a mesma que aprendemos aqui dentro: a qualidade de uma automação não vem do modelo de IA, vem da clareza das regras que ela recebe. Se uma tarefa tem regra que dá para escrever, dá para colocar um agente para executar. Onde a regra ainda não existe ou não se deixa escrever, é o humano que fica — e está tudo certo com isso.
